O Portal
Transcomunicação Instrumental
Informativo: Dezembro de 1997
Ano 1 - Número 2
? Do Redator
Caríssimo(a) estou lhe entregando mais um número do nosso
informativo sobre Transcomunicação Instrumental.
Neste número trago uma matéria retirada da Revista Planeta,
de número 18, de Fevereiro de 1974, onde a reportagem aborda o assunto
sobre Transcomunicação Instrumental, quando ambos tanto o
Friedrich Juergenson e o Dr. Konstantin Raudive, ainda se encontravam em
nosso meio terreno, e, mais um artigo do nosso confrade Lázaro Sanches.
Espero que gostem.
Milton Andrade
? Os Mortos Falam
Por Elsie Dubugras
Pela primeira vez na história os mortos falam sem o auxílio
do médium. Na Suécia, na Alemanha, na Inglaterra, através
de meios eletrônicos, vozes do além dão indicação
sobre a vida depois da morte. Eles contam que "do outro lado" tudo é
mais fácil, pois existe amor. Isso prova que a morte não
é o fim, mas apenas passagem para outro estado. Descoberto por acaso,
o método das gravações vem evoluindo rapidamente.
Sua grande vantagem: pode ser repetido por qualquer pessoa.
Vozes misteriosas falando rapidamente, num ritmo invulgar e usando
uma língua curiosa! Como estas vozes apareceram num gravador colocado
em lugar ideal para captar somente canto dos pássaros, solitário
e distante do vozerio humano? Ninguém teria estado nas imediações,
no entanto, inexplicavelmente, o gravador provava que o silêncio
tinha sido relativo: as vozes estavam gravadas na fita. Este episódio
abriu lentamente a cortina, proporcionando ao homem moderno a oportunidade
de conhece o mundo dos mortos através de seus habitantes. E este
conhecimento não seria dado através de intermediários
humanos - os médiuns - mas por meios eletrônicos. O músico
sueco, Friedrich Juergenson, desejava registrar o canto dos pássaros.
Para isso teria que colocar seu gravador em lugar arborizado e sossegado.
Pensou em sua fazenda e foi para lá fazer a primeira experiência
com o canto da aves, que fracassou em virtude da intromissão de
vozes estranhas. O fracasso levou-o a tentar novamente. Tornou a colocar
o gravador num lugar considerado ideal para o fim desejado. Mas como da
primeira vez, quando foi ouvir o que estava gravado, as vozes tornaram
a aparecer. Intrigado com a repetição do fenômeno,
Juergenson decidiu ver se conseguiria decifrar o sentido das frases e,
se possível, descobrir de onde vinham e quem as pronunciava.
Logo de início, mostrou que as sentenças continham palavras
em diversos idiomas. A primeira idéia de que esta vozes poderiam
ter partido de uma transmissora caía por terra, pois nenhum locutor
falaria daquela maneira. Pelos mesmos motivos não podiam ser as
vozes de vizinhos ou de pessoas que tivessem passado por perto. Sem solução
para o enigma, durante três anos, pacientemente, repetiu a experiência.
As vozes, invariavelmente apareciam nas fitas, sempre falando naquela língua
poliglota e peculiar, sempre naquele ritmo estranho. Juergenson estudou
criteriosamente o que estava gravado e no fim chegou a uma conclusão
surpreendente: havia gravado as vozes dos mortos! Após esta primeira
experiência ficou patente que as gravações de Juergenson
faziam parte de um plano das próprias "vozes", e que esta era somente
a fase inicial! Empolgado com o fato de que, pela primeira vez na história,
as vozes dos mortos poderiam ser ouvidas por meios eletrônicos, sem
um intermediário humano, sem médium, Juergenson publicou
um livro sobre suas experiências. O livro de Friedrich Juergenson
foi um sucesso na Europa. Finalmente caiu nas mãos de um conhecido
psicólogo e filósofo católico, Dr. Konstantin Raudive,
que, profundamente interessado no que havia lido, procurou o autor para
aprender sua técnica de gravar vozes. De posse de tudo que Juergenson
havia descoberto, começou suas experiências. Com espírito
científico, cercou-se de todos os cuidados para não se enganar
e, pacientemente, colecionou um fabuloso acervo de 72 mil sentenças.
Eram colóquios das vozes com o experimentador, seus auxiliares e
cientistas, intelectuais e religiosos que ele convidava para assistirem
às gravações e observar o fenômeno. Estas 72
mil frases foram enfeixadas num livro publicado na Alemanha, intitulado
Unhorbares Wird Horbar (O Inaudível torna-se Audível). A
segunda etapa da estranha "viagem" eletrônica ao mundo dos mortos
havia terminado. Passava-se agora à terceira etapa. Se o livro de
Juergenson foi um sucesso, o do Dr. Raudive causou furor. As opiniões
eram das mais variadas. Naquela ocasião inaugurou-se a Feira do
Livro em Frankfurt e o sócio de uma conhecida editora inglesa, Colin
Smythe Ltd, foi visitá-la. Ao retirar-se da Feira foi abordado por
um estranho que colocou um livro em suas mãos dizendo: "Aqui está
uma obra que o senhor possivelmente gostaria de publicar. Leve-a consigo
e leia-a". Admirado com o presente inesperado, o Sr. Smythe levou o livro
para a Inglaterra, mas este ficou na prateleira semi-esquecido.
Um dia, porém, lembrou-se dele e resolveu dar uma olhadela no
livro. Sua primeira impressão não foi das melhores, pois
achou que o autor estava tentando provar que a vida após a morte
era um fato, e que este fato estava sendo comprovado por meios eletrônicos.
- Estranho modo de querer provar a sobrevivência do espírito
- pensou ele. Disse que teria rejeitado o livro se não tivesse folheado
o apêndice, que continha numerosas cartas e comentários de
pessoas cuja integridade moral e científica estavam acima de qualquer
dúvida!
Neste apêndice havia o comentário de um padre católico,
o conhecido filósofo Dr. Gebhard Frei. Havia um outro do prof. Alex
Schneider, um renomado físico. O psicólogo Hans Bender, de
fama internacional, também havia contribuído.
? Conversando com a mãe morta
Ele sentiu-se confuso e chegou a pensar que algum truque havia sido
usado para inserir documentos de tanto peso no livro, com o intuito de
reforçar seu conteúdo. As suas dúvidas se dissiparam,
porém, quando descobriu que essas pessoas não tinha escrito
simples "cartas de referência" mas, que faziam parte de um grupo
de pesquisadores do fenômeno e se responsabilizaram pela exatidão
de que o Dr. Raudive descrevia. Outras fontes consultadas confirmaram a
seriedade da pesquisa e das inúmeras pessoas que nela colaboravam,
assim como a veracidade do que estava exposto no livro do Dr. Konstantin
Raudive.
Apesar destas informações elogiosas, o editor inglês
resolveu fazer uma experiência antes de dar sua decisão final
sobre a publicação do livro que se intitulava Breakth Rough
(expressão idiomática que significa "penetração
em áreas desconhecidas"). Comprou algumas fitas e pôs o gravador
a funcionar. A certa altura resolveu ver se algum som tinha sido registrado.
Ficou surpreso ao ouvir uma voz gravada na fita! Levou o gravador com a
fita à sala de seu sócio Sr. Bander e pediu-lhe para que
escutasse a gravação.
O Sr. Bander pôs o gravador a funcionar e, repentinamente, distinguiu
uma voz feminina, tênue mas clara, que dizia em alemão: "Por
que você não abre a porta?" Assim que ele percebeu a voz,
reconheceu-a como sendo de sua falecida mãe. Tinha ouvido esta mesma
voz durante 11 anos em fitas de gravador, pois era a forma como ele e sua
genitora se correspondiam durante aquele longo período de separação.
O Sr. Bander repetiu a operação e ouviu a mesma voz,
as mesmas palavras. Quis, no entanto, mais uma prova. Pediu a dois colegas
que não falavam alemão que escrevessem fonema por fonema,
o que ouviam. Quando conferiram o resultado ficou provado, sem sombra de
dúvida, que o que o Sr. Bander havia ouvido era certo: sua mãe
havia falado com ele através do gravador! Este resultado positivo
decidiu a sorte do livro do Dr. Raudive: seria traduzido para o inglês
e publicado na Inglaterra e nos Estados Unidos com o título Breakthrough.
Outro vasto mundo, dominado pela língua inglesa, seria "penetrado"
pelas vozes!
O livro não é descritivo. É um acervo das frases
gravadas, separadas por assunto, com curtas explicações do
Dr. Raudive no final de cada assunto, mas sem interpretações
pessoais, suas ou de outras pessoas. O editor inglês, muito apropriadamente.
citou cada frase na língua das próprias vozes, mas colocou
logo abaixo a tradução para o inglês. Além disso,
ao lado de cada frase aparece o número da fita e o lugar onde se
acha gravada. As fitas foram cuidadosamente conservadas e arquivadas pelo
Dr. Raudive para consultas posteriores.
Em uma sala quieta e sossegada, geralmente tarde da noite, segundo
as instruções que ele recebera do Dr. Juergenson, Raudive
colocava um gravador com microfone e fita virgem. Esta era identificada
com seu nome, a data, o local e quaisquer outras informações
pertinentes.
? Os mortos dão Instruções
Em muitas ocasiões, o Dr. Raudive gravava um pergunta pedindo
às vozes que respondessem. O gravador era posto a funcionar e, após
certo tempo, desligado. A fita era então repassada com o som aumentado
ao máximo para conhecer a resposta dada.
Outro método, usado pelo Dr. Raudive e que foi ensinado pelas
próprias vozes, é o de lentamente procurar no rádio
uma onda adequada para as gravações. Assim que esta era encontrada,
ouvia-se um sibilante agora! e o Dr. Raudive iniciava a gravação.
Ainda hoje as vozes mostram franca preferência por esta forma de
gravação, pois dizem que o microfone limita as possibilidades
tanto de transmissão quanto de gravação.
Ainda não foi descoberto como elas são processadas mas
acreditamos que, com as múltiplas pesquisas que estão sendo
feitas na Europa, nos EUA e em outros países, muito será
descoberto e revelado.
Durante as gravações recomenda-se calma na ambiente e
concentração por parte dos assistentes. As vozes explicam
que a concentração ajuda o processo de gravação
e "atrai entidades". As conversas dispersivas e inúteis não
agradam nem tampouco a descrença daqueles que assistem aos trabalhos,
pois, as ouvimos dizendo que "certas pessoas são inúteis
à recepção". Ouvimos, também, recomendações
para que "desenvolvam as energias e conservem". Será que esse "desenvolvimento
de energias" é equivalente ao desenvolvimento mediúnico?
Elas podem ver o experimentador e os que assistem os trabalhos. Ouvem
o que é dito, e respondem com inteligência às perguntas,
mesmo que estas não lhe tenham sido dirigidas diretamente. Distinguem
cores, fazem comentários sobre a "bonita cor" do oscilógrafo
(é vermelha). Pedem para que as luzes sejam atenuadas, preferem
a vermelha que condiz com o que sabemos ser necessário nas sessões
de efeitos físicos - penumbra ou um luz vermelha fraca. Não
gostam que se fume durante os trabalhos pois se queixam da "neblina", que
deve ser causada pela fumaça dos cigarros!
? Uma gramática peculiar
Durante a gravação os assistentes nada ouvem, pois as
vozes dos mortos são inaudíveis aos ouvidos nus. Mas quando
a fita é repassada com o som aumentado escutam-se certos ruídos
rítmicos que se tornam, aos poucos, mais claros e compreensíveis.
São "elas" falando e suas vozes lembram as "humanas" pois têm
timbre diferentes, masculinos, femininos e até infantis. Essa enunciação
rítmica e a construção das frases recordam as fórmulas
mágicas empregadas pelos feiticeiros africanos e mesmo certas línguas
secretas. Cada sentença contém palavras de dois a seis idiomas
diferentes, mas os vocábulos são encurtados, existem neologismo,
faltam artigos, preposições e verbos auxiliares. Além
do mais, são estruturadas numa gramática especialíssima.
Ouvindo as repetidamente, observa-se que existem regras e características
decorrentes na sentenças, que não podem ser atribuídas
à simples coincidência; cada voz tem uma forma inalterada
de falar e certas singularidades na linguagem, que a identificam com a
pessoa que ela diz ser. Essas características transparecem sempre
que a voz fala, mesmo muito tempo após a primeira conversa. Não
podemos deixar de lembrar que geralmente conhecemos as vozes dos nossos
amigos quando nos telefonam sem que seja preciso que eles se identifiquem.
Há um timbre e um modo de falar que são seus. É o
que acontece com as vozes.
Outro detalhe interessante é que a maioria das palavras, em
cada sentença, está fundamentada na língua que o experimentador
melhor conhece.
As vozes se identificam pelo nome, profissão ou parentesco com
um dos assistentes. O famoso Jung deu seu nome e disse que era um "psicólogo".
A irmã do Dr. Raudive identificou-se pelo nome e deu outros detalhes
conhecidos da família. Pessoa que em vida falava o francês,
continuou usando muito francês nas sentenças, lembrando os
ouvintes que a conheceram antes de morrer, os fatos ocorridos em sua vida,
na França. Não pode, pois, haver dúvida quanto à
sua identidade. Elas dão provas de sua inteligência pois não
só respondem acertadamente como têm o dom da precognição,
da retrognição e conseguem ler os pensamentos dos que estão
na sala. Estes são dons paranormais.
? Os vícios dos mortos
Não podemos deixar de comentar sobre o que as torna tão
"humanas": o senso de humor, a ironia e os sentimentos que expressam, as
observações que fazem, o trabalho a que se dão para
provar que não passam de seres humanos "falecidos", seres que conheceram
a vida como nós a conhecemos, que têm as suas fraquezas como
nós. Eles sabem quando os testes saem bem e se alegram com isto.
Prestam atenção ao que ocorre e encorajam os pesquisadores.
Recomendam paciência dizendo que é importante levantar o véu
entre os dois mundos, mas que "não se apressem nem tentem convencer
os que não crêem". Estas observações mais uma
vez provam que são seres inteligentes, que raciocinam, que conhecem
e se lembram das dificuldades existentes na Terra para a aceitação
de novas idéias!
Falam muito da necessidade de uma "ponte" para poderem chegar à
sala de gravação ou efetuar transmissões. Não
há descrição sobre o que seja essa ponte, mas para
passar por ela os guardas exigem documentos de identidade, passaportes
e pedem certos esclarecimentos.
Deparamos aqui com um caso que lembra certos personagens do nosso mundo.
É o caso de um espertinho que "iria se virar". Não tinha
os documentos de identidade exigidos pelos guardas da "ponte", mas tentou
"levá-los no bico", afirmando que era sueco, pois ser sueco parece
ser algo desejável para furar o bloqueio e passar pela "ponte" (possivelmente
porque o Dr. Juergenson era sueco e devia ser bem conhecido dos guardas...)
Não mudamos de caráter só porque morremos.
As vozes conversam entre si, com o experimentador e com seus assistentes,
e é através do conteúdo destas conversas que tiram
as conclusões sobre seu modo de vida, pensamentos, relacionamento
com outras, vícios, hábitos, condições sociais
e geográficas, meio de locomoção, etc...
? Eles também se divertem
Como já foi dito, as sentenças não são
descritivas. O que encontramos é a menção do objeto,
do vício, do meio de transporte, etc. Vamos exemplificar com uma
conversa, pois esta nos permite conhecer um ônibus, seu motorista,
algumas condições geográficas, as opiniões
das vozes sobre certas pessoas, sua aptidão para o cargo que exercem
etc.
Diversas vozes conversam entre si. Vão fazer uma excursão
de ônibus (falam do susabus). Este será dirigido por um motorista
que três dos passageiros deveriam ter conhecido em outras circunstâncias,
pois uma, nervosamente, chama atenção dos amigos para o fato
de que é o Popa quem vai dirigir. Outra acrescenta que Popa dirige
com muita velocidade. Popa é veloz. Logo alguém exclama:
"Estamos na 9ª. rampa". Outra diz, surpresa: "Lá está
o mar, o belo mar". Existe, pois, o mar, e o ônibus deve estar subindo
uma montanha. Rapidamente chegam ao seu cume e saem do ônibus, ouve-se
alguém queixando-se do frio e do vento. Outra observa que o local
só é bom para lobos, portanto deve ser um lugar bem alto,
frio e açoitado por ventos.
Nesse cume há um telescópio. Uma voz chega ao instrumento
e espia por ele. Exclama, admirada, que vê o Raudive. Outra quer
espiar também, mas sua visão é defeituosa e o funcionário
que cuida do telescópio tem que ajustar primeiro uma lente, depois
a outra. Mas, apesar da novidade, há o eterno queixoso que reclama
de tudo, enchendo a paciência de outra voz que, ironicamente, lhe
diz que deveria ter trazido seu "caixão" consigo!
Através de frases semelhantes, ficamos sabendo que tanto as
vozes quanto os pesquisadores precisam de "guias" para efetuar as transmissões
e as gravações. A do Dr. Raudive é Margaret, que foi
sua amiga e secretária em vida. O Dr. Juergenson também tinha
a sua. Parece que cada pesquisador deve usar somente aquela que lhe foi
designada. Certa vez o Dr. Raudive, pensando que melhoraria a transmissão,
apelou para a "guia" do Dr. Juergenson. Antes não o tivesse feito.
O "lado de lá" não gostou e o resultado foi uma grande confusão.
As pontinhas de ciúmes continuam acirradas entre aqueles que os
vivos chamam de "mortos".
? Como vivem os mortos?
Existem casas, hospitais, pensionatos, escolas etc., e elas falam de
roupas, falta de roupas, banheiros, comida, bebida e cigarros, citando
as marcas.
Conservam o sentimento de nacionalidade e agrupam-se segundo ela. Em
certos setores o domingo é guardado. Existem diversas profissões,
como aqui na Terra. Plantam, colhem e cozinham, pois falam dos trigais
e do pão que comem.
É interessante observar que as vozes viajam, sabem para onde
vão e onde estão. Também têm conhecimento do
que seus amigos "vivos" estão fazendo, para onde vão e onde
estão.
Eles sabem como as pessoas morreram e quando. Repetidamente falam dos
parentes falecidos dos assistentes. Citam a forma da morte, o nome, o lugar
e outros detalhes. Dr. Frei Gebhard era um padre católico, membro
da Mission Society of Bethlehem. Em 22 de setembro de 1967 escreveu ao
Dr. Raudive, dizendo que tinha ouvido 60 mil sentenças e acrescentou:
"Não tenho o direito de duvidar da realidade do fenômeno!"
Logo após escrever essa carta, o prof. Frei faleceu e, em 5 de novembro
de 1967, o Dr. Raudive pediu numa sessão de gravação,
para falar com ele. Como resposta, o nome do Frei foi ouvido na fita. O
Dr. Raudive perguntou: "O Sr. pode nos dar uma prova concreta do outro
lado?" A voz do professor responde: "Du Handle, Gebhard", ou seja, traduzindo
livremente "trate disto você mesmo, Gebhard".
12 de novembro de 1967 - O Dr. Raudive pediu, novamente, para falar
com o prof. Frei e uma voz responde: "Gebhard. Espere. Você vai receber
um sinal daqui. Obrigado. Daqui podemos ver você esperando". Mas
tarde aparece o seguinte: "Aqui, Gebhard. Kosta (diminutivo de Konstantin).
Onde está você? Fred".
30 de novembro de 1967 - O Dr. Raudive torna a chamar o prof. Frei,
perguntando se ele podia ouvi-lo. Es a resposta: "Sim, Gebhard. O bastante
Kosta". Acrescenta depois: "Como é fácil aqui. Tanta amizade.
Estou gostando. Queremos nos encontrar com você livremente".
? Adaptar-se à condição de morto
14 de dezembro de 1967 - Frei regozija-se e diz "Raudive está
trabalhando". O Dr. Raudive pergunta mais tarde se Frei pode dizer o que
ele, Raudive, está fazendo. Frei responde: "Brincando!" A uma queixa
do Dr. Raudive, de que "as pessoas ainda não querem acreditar",
Frei responde: "Elas são assim mesmo". ( Pode-se ver, por esta observação,
que o prof. Frei não se esqueceu de como é difícil
convencer os "mortais" de qualquer coisa nova...).
Pelas datas destes diálogos vê-se que o prof. Frei teve
condições para comunicar-se com o Dr. Raudive mais ou menos
40 dias após sua morte, e que levou cerca de um mês para entrosar-se
com as condições de vida do além. Poderia isto ter
acontecido por ter o prof. Frei já se familiarizado com o método
de comunicação, antes da morte, antes de ter-se tornado uma
"voz"?
Falam, repetidamente, do "radar. Deduzimos que, para as vozes, radar
é o sinônimo de mediunidade, pois elas chamam o Dr. Raudive
de radar e alguns de seus colaboradores de radar-substituto. O prof. Juergenson
também era chamado de radar. Os poderes mediúnicos dos pesquisadores
ainda não foram classificados, mas parece que são imprescindível
às gravações, pois as vozes insistem na presença
do Dr. Raudive. Se ele não está na sala, não continuam
com as gravações e saem à sua procura! Certa ocasião
ele estava no jardim e outra vez no corredor. Elas souberam como encontrá-lo
e até fizeram certas observações sarcásticas
a seu respeito numa das gravações. Reconhecendo a importância
do Dr. Raudive para o sucesso das gravações preocupam-se
com a sua saúde, insistindo para que repouse, que durma mais, que
não se canse e até chegam a fazer prece por ele.
? Recomendações e conselhos
As vozes fazem menção a muitas estações
transmissoras do além - e dão seus prefixos.
Recomendam não pecar, não comprar o pecado, não
beber, não brigar e elucidar que o amor é uma loba. É
uma expressão interessante que elas não explicam, mas comparando-as
às mensagens recebidas pelo médium Chico Xavier, presume-se
que se referem à paixão e não ao verdadeiro amor.
O que mais pedem é preces. Gostam de ser lembradas, mas de forma
positiva. Não apreciam as críticas pelo que fizeram de mal
durante sua vida terrena. Não gostam, também, que duvidem
delas. Sentem tristeza e alegria. Pedem perdão por ofensas cometidas
em vida e a este respeito citamos o caso de uma voz que, tendo ofendido
o Dr. Raudive em sua infância , mostrou-se arrependida. O Dr. Raudive
lembrou-se do caso. Pedem para que se fale mansamente, não só
no nosso lado, mas do lado de lá também chegando a repreender
uma voz que falava de forma ríspida.
Interessam-se em provar que o que nós chamamos de morte não
é morte, mas vida. Primeiro dizem que a Terra é a morte,
depois que elas - as vozes - estão vivas e que a morte não
é o fim, dando a entender que no além a vida é semelhante
à da Terra. Como prova adicional de que são seres inteligentes
e que raciocinam, continuando a aprender, está o fato que usam línguas
que desconheciam em vida, sem falar da língua característica
que usam entre si e nas gravações.
Em duas gravações as vozes avisaram o Dr. Raudive que
ele veria uma certa pessoa em sonho. Ele viu Margaret, com aparência
transcendental, mas perfeitamente reconhecível. Em outra ocasião
foi avisado que veria o famoso psicólogo Jung. Este também
apareceu em sonho.
? Espíritos de baixo nível
Alguns espíritos continuam ligados aos lugares onde haviam morado
durante sua permanência na Terra. Eis a prova:
Uma das pessoas que estavam assistindo às gravações
disse que pressentia uma entidade na casa onde residia. Uma voz diz: "Willi"
(Willi é um nome popular na Alemanha). O Dr. Raudive diz que a entidade
poderia ser uma forma desconhecida de vida. Outra voz imediatamente retruca:
"Errado, Kostulit". O Dr. Raudive continua: "Um mediador entre esta vida
e a outra. Mas não existem tais divisões". A voz responde:
"Existem!" O Dr. Raudive diz então que, se é um espírito,
quer saber quem é. A voz responde: "Willi! Aqui está a casa".
Mas o Dr. Raudive, não satisfeito com a resposta, insiste em saber
quem é o tal "Willi". A voz responde: "É o protetor da casa.
Testemunha" (Deduzimos que, assinado "Testemunha", a voz que queria dizer
que ela testemunhava o fato e que se tratava de uma entidade protetora
do lar).
Não podemos deixar de falar de um episódio que se deu
antes das vozes se tornarem-se conhecidas. Um engenheiro austríaco
inventou um aparelho que ele denominou de psicofone. Com este aparelho
ele contatava entidades espirituais, mas seus testes tiveram que ser abandonados,
pois o aparelho só se ligava a espíritos de nível
tão baixo que ele e os que trabalhavam no local sofriam seu assédio,
com conseqüências desagradáveis e imprevisíveis.
? As vozes são entidades espirituais
Poderíamos citar outros fatos registrados nas gravações.
A variedade é quase infinita. Acreditamos, porém, que o que
já foi dito comprova que as vozes são reais, que são
o que elas alegam ser e que não são produto do inconsciente
- o que elas mesmas violentamente repudiam como falsa premissa. Mas, para
rematar, é interessante ler o que o rev. Charles Pfleger, capelão
da Santa Sé, diz a respeito das vozes, publicado na revista Le Nouvel
Alsacien de 2-7-1970: ... A teologia não deverá opor muitos
obstáculos (aos fenômenos das vozes), pois os dogmas estão
sendo reestruturados... e mesmo os artigos fundamentais da fé estão
sendo revisados. É, pois, razoável aceitar, para ser considerada,
esta nova prova relacionada à natureza da vida do além...
sobre a qual não devemos esquecer, a teologia cristã é
muito vaga...
(matéria transcrita, integralmente, da Revista Planeta no. 18
- Fevereiro de 1974)
? CARTA ABERTA AOS CIENTISTAS
(por Stil e Lázaro Sanches de Oliveira)
...
? Expediente
Este informativo é uma publicação sem fins lucrativos
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